Tema do Ambiente serviu para criticar obras "megalómanas" e "imbecis"

O último episódio do Programa 5.0, na rádio 88.8, foi dedicado ao tema do Ambiente. Os cinco intervenientes – Carina Ferro, Gonçalo Santos, João Paulo Marques, João Pedro Vieira e Rubina Berardo – avaliaram as boas e as más propostas dos 17...

Tema do Ambiente serviu para criticar obras
O último episódio do Programa 5.0, na rádio 88.8, foi dedicado ao tema do Ambiente. Os cinco intervenientes – Carina Ferro, Gonçalo Santos, João Paulo Marques, João Pedro Vieira e Rubina Berardo – avaliaram as boas e as más propostas dos 17 partidos que se apresentam às eleições de domingo, num debate que desta vez foi moderado por João Pedro Vieira. No arranque da discussão, o socialista não quis identificar nenhuma medida como sendo positiva ou negativa, por entender que este é o maior desafio que a humanidade enfrenta e nenhum político assumiu o compromisso de salvar o planeta. Ainda assim, nota como positivo que o ambiente tenha entrado na agenda política em Portugal e na Madeira, em particular. Mas advertiu que as políticas ambientais que fazem a diferença são muito mais do que guardar uma garrafa ou utilizar a bicicleta em vez de um veículo poluente. “É preciso muito mais do que isso”, sublinhou. Por seu turno, o social-democrata João Paulo Marques elegeu como positiva a proposta do Bloco de Esquerda de acompanhar a recuperação de ecossistemas nas serras onde há pastoreio ordenado. A propósito, recordou que na pré-campanha eleitoral foi criada a ideia de que não haveria gado na serra, o que não corresponde à verdade. “Existe mas é ordenado”, disse, criticando depois o que considerou ser uma “contradição do PS”. “O PS quer levar o gado desordenado para as serras e ao mesmo tempo está contra a Estrada das Ginjas”, referiu. João Paulo Marques criticou ainda uma proposta do PAN sobre recolha de dejetos no Funchal que, no final das contas, iria transformar a cidade “numa grande casa de banho”. Na mesma linha de raciocínio, a socialista Carina Ferro mostrou-se contra “medidas extremamente preconceituosas”. Além da “casa de banho citadina”, declarou, há uma proposta para o “povoamento da Floresta Laurissilva com o Lince Ibérico” e outra que pretende colocar os beneficiários do Rendimento de Inserção Social a “limpar as florestas”, como contrapartida por auferirem ajudas. Depois das várias provocações de Gonçalo Santos ao longo da semana sobre uma hipotética geringonça na Madeira entre o PS e o BE, ontem Carina Ferro deu-lhe o troco, ao assinalar “convergências” entre as propostas do CDS e do BE, designadamente quanto à criação de uma reserva agrícola ecológica e na candidatura das levadas da Madeira a património da UNESCO. “Como é que o CDS poderá equacionar uma geringonça ambiental, com tantas linhas vermelhas traçadas ao longo da semana?”, interrogou, em tom provocatório. No uso da palavra, o centrista respondeu a Carina Ferro, rejeitando liminarmente qualquer convergência entre o CDS e o BE. “Deus me livre e guarde. Sou católico. Nem a religião é a mesma”, afirmou. Esclarecido o assunto, Gonçalo Santos virou-se depois contra o PSD e a “mentalidade que desrespeita a riqueza natural” da Madeira. “É um marco ideológico”, sublinhou. A propósito dessa mentalidade, o centrista apontou as intervenções que foram realizadas no litoral da ilha, classificando-as de “obras megalómanas” e “imbecis”. Por seu turno, a social-democrata Rubina Berardo destacou positivamente a proposta da Iniciativa Liberal que defende “contribuições voluntárias” dos utilizadores das levadas e trilhos. Rubina Berardo reconhece que “não será fácil” implementar essa medida, mas admite que essa verba iria ajudar a custear a manutenção dos percursos. Como negativo, a social-democrata elegeu a proposta do Bloco de Esquerda que quer o fim da pesca lúdica na Madeira. Criticou ainda as ideias do PAN de criar um sistema regional de saúde para os animais, um santuário para os animais, entre outras ideias. Em sua opinião, as ideias seriam bem acolhidas “num mundo ideal”.