Sindicato diz que trabalhadores no turismo do Norte fogem do setor como "diabo foge da cruz"

O Sindicato dos Trabalhadores da Indústria de Hotelaria, Turismo, Restaurantes e Similares do Norte alertou hoje que os trabalhadores estão a fugir do setor como “o diabo foge da cruz”, por causa dos salários baixos.   “Quando qualquer trabalhador faz a comparação de trabalhar no setor [turístico], a ganhar o salário mínimo nacional, a trabalhar ao fim de semana, a trabalhar nos feriados, a trabalhar à noite e a ter horários que não conseguem organizar a vida pessoal e familiar, com outro setor, onde isso não acontece, fogem do setor como o diabo da cruz”, descreve Francisco Figueiredo, dirigente no Sindicato dos Trabalhadores da Indústria de Hotelaria, Turismo, Restaurantes e Similares do Norte (STIHTRSN). Em entrevista à agência Lusa no âmbito do Dia Mundial do Turismo, que se assinala esta terça-feira, Francisco Figueiredo observa que hoje os tempos são diferentes e que os trabalhadores exigem a “conciliação" da atividade laboral com a vida pessoal e familiar, com folgas ao fim de semana e com os horários repartidos a serem “melhor remunerados”. “Temos um problema, de facto, de salários muito baixos e hoje a esmagadora maioria dos trabalhadores do setor recebe apenas o salário mínimo nacional. Essa situação é insustentável”, alerta, reiterando que “a vida mudou” e que os trabalhadores atuais não aceitam trabalhar à noite, domingos e feriados, comprometendo a vida familiar, sem qualquer contrapartida. A falta de mão de obra no setor já existia antes da pandemia de covid-19, mas foi reforçada depois da crise pandémica, refere o sindicalista. “Aqueles que trabalhavam no setor encontraram soluções melhores e não voltam a trabalhar no setor. Aqueles que ingressaram no setor agora não aguentam os ritmos de trabalho, as condições de trabalho, os baixos salários e particularmente os horários”, disse. O Sindicato recebeu recentemente uma reclamação sobre um hotel de cinco estrelas do Porto em que os trabalhadores saem às 23:00 e às 05:00 da manhã já têm de estar no hotel para servir os pequenos-almoços. “Esta situação é insustentável”, lamenta Francisco Figueiredo, alertando que a partir das oito horas de trabalho diário é “trabalho de escravo que não é pago”. Para combater a fuga dos trabalhadores e consequente falta de mão de obra qualificada, Francisco Figueiredo adianta à Lusa que o sindicato fez recentemente uma proposta às associações patronais de “aumentos salariais de 100 euros a partir de janeiro de 2023”. “As empresas podem perfeitamente pagar salários dignos aos trabalhadores”, argumenta o sindicalista, acusando-as de estarem a “acumular” todo o crescimento verificado este ano, que está a ser absorvido para o “bolso do patrão” e que tal “não é justo”. Dados do Instituto Nacional de Estatística (INE), de 14 de agosto, relativamente a julho deste ano, demonstram que o setor registou “um aumento de 23% do valor médio por quarto ocupado”, recorda Francisco Figueiredo. O Sindicato também propôs às empresas que o trabalho ao fim de semana seja pago com um “acréscimo remuneratório de 25%”, como forma de criar “maiores incentivos à vinda de trabalhadores para o setor”. Outra das propostas feitas foi a de acabar com os horários repartidos ou, no caso de continuarem esses horários repartidos, que “haja um prémio de 25%” para esses trabalhadores, que muitas vezes entram às 09:00 e saem à meia-noite ou ainda mais tarde. A maioria dos trabalhadores no setor turístico do Norte continuam a ser portugueses, mas muitos são "imigrantes brasileiros, africanos, nepaleses, paquistaneses, indianos", descreve Francisco Figueiredo. Os imigrantes têm muitas dificuldades, observa, considerando que devia haver “um programa sério” para acolher os estrangeiros, designadamente no apoio à habitação e na aprendizagem de línguas e técnicas hoteleiras. No sítio da Internet do Turismo de Portugal pode ler-se que o setor do turismo é uma atividade económica “fundamental” para a geração de riqueza e emprego em Portugal. “Nos últimos nove anos, o país registou uma taxa de crescimento médio anual de 7,2% nas dormidas, o que se traduz num aumento de 37 milhões de dormidas em 2010 para 70 milhões de dormidas em 2019, o maior valor de que há registo.

Sindicato diz que trabalhadores no turismo do Norte fogem do setor como "diabo foge da cruz"
O Sindicato dos Trabalhadores da Indústria de Hotelaria, Turismo, Restaurantes e Similares do Norte alertou hoje que os trabalhadores estão a fugir do setor como “o diabo foge da cruz”, por causa dos salários baixos.   “Quando qualquer trabalhador faz a comparação de trabalhar no setor [turístico], a ganhar o salário mínimo nacional, a trabalhar ao fim de semana, a trabalhar nos feriados, a trabalhar à noite e a ter horários que não conseguem organizar a vida pessoal e familiar, com outro setor, onde isso não acontece, fogem do setor como o diabo da cruz”, descreve Francisco Figueiredo, dirigente no Sindicato dos Trabalhadores da Indústria de Hotelaria, Turismo, Restaurantes e Similares do Norte (STIHTRSN). Em entrevista à agência Lusa no âmbito do Dia Mundial do Turismo, que se assinala esta terça-feira, Francisco Figueiredo observa que hoje os tempos são diferentes e que os trabalhadores exigem a “conciliação" da atividade laboral com a vida pessoal e familiar, com folgas ao fim de semana e com os horários repartidos a serem “melhor remunerados”. “Temos um problema, de facto, de salários muito baixos e hoje a esmagadora maioria dos trabalhadores do setor recebe apenas o salário mínimo nacional. Essa situação é insustentável”, alerta, reiterando que “a vida mudou” e que os trabalhadores atuais não aceitam trabalhar à noite, domingos e feriados, comprometendo a vida familiar, sem qualquer contrapartida. A falta de mão de obra no setor já existia antes da pandemia de covid-19, mas foi reforçada depois da crise pandémica, refere o sindicalista. “Aqueles que trabalhavam no setor encontraram soluções melhores e não voltam a trabalhar no setor. Aqueles que ingressaram no setor agora não aguentam os ritmos de trabalho, as condições de trabalho, os baixos salários e particularmente os horários”, disse. O Sindicato recebeu recentemente uma reclamação sobre um hotel de cinco estrelas do Porto em que os trabalhadores saem às 23:00 e às 05:00 da manhã já têm de estar no hotel para servir os pequenos-almoços. “Esta situação é insustentável”, lamenta Francisco Figueiredo, alertando que a partir das oito horas de trabalho diário é “trabalho de escravo que não é pago”. Para combater a fuga dos trabalhadores e consequente falta de mão de obra qualificada, Francisco Figueiredo adianta à Lusa que o sindicato fez recentemente uma proposta às associações patronais de “aumentos salariais de 100 euros a partir de janeiro de 2023”. “As empresas podem perfeitamente pagar salários dignos aos trabalhadores”, argumenta o sindicalista, acusando-as de estarem a “acumular” todo o crescimento verificado este ano, que está a ser absorvido para o “bolso do patrão” e que tal “não é justo”. Dados do Instituto Nacional de Estatística (INE), de 14 de agosto, relativamente a julho deste ano, demonstram que o setor registou “um aumento de 23% do valor médio por quarto ocupado”, recorda Francisco Figueiredo. O Sindicato também propôs às empresas que o trabalho ao fim de semana seja pago com um “acréscimo remuneratório de 25%”, como forma de criar “maiores incentivos à vinda de trabalhadores para o setor”. Outra das propostas feitas foi a de acabar com os horários repartidos ou, no caso de continuarem esses horários repartidos, que “haja um prémio de 25%” para esses trabalhadores, que muitas vezes entram às 09:00 e saem à meia-noite ou ainda mais tarde. A maioria dos trabalhadores no setor turístico do Norte continuam a ser portugueses, mas muitos são "imigrantes brasileiros, africanos, nepaleses, paquistaneses, indianos", descreve Francisco Figueiredo. Os imigrantes têm muitas dificuldades, observa, considerando que devia haver “um programa sério” para acolher os estrangeiros, designadamente no apoio à habitação e na aprendizagem de línguas e técnicas hoteleiras. No sítio da Internet do Turismo de Portugal pode ler-se que o setor do turismo é uma atividade económica “fundamental” para a geração de riqueza e emprego em Portugal. “Nos últimos nove anos, o país registou uma taxa de crescimento médio anual de 7,2% nas dormidas, o que se traduz num aumento de 37 milhões de dormidas em 2010 para 70 milhões de dormidas em 2019, o maior valor de que há registo.