PJ procura mãe que abandonou bebé num caixote do lixo

O bebé que na última terça-feira foi encontrado dentro de um caixote do lixo, na zona de Santa Apolónia, está ainda nos cuidados intensivos pediátricos do Hospital D. Estefânia, mas bem de saúde, de acordo com o SOL. Ao que o i apurou, a criança,...

PJ procura mãe que abandonou bebé num caixote do lixo
O bebé que na última terça-feira foi encontrado dentro de um caixote do lixo, na zona de Santa Apolónia, está ainda nos cuidados intensivos pediátricos do Hospital D. Estefânia, mas bem de saúde, de acordo com o SOL. Ao que o i apurou, a criança, que está sob a tutela da unidade hospitalar (mais tarde será entregue a uma instituição), ainda não tem nome. Quando foi encontrado, o recém-nascido estava desnutrido e sem qualquer roupa a cobrir o corpo. O alerta foi dado pelas 18h30, quando um homem que passava junto à discoteca Lux ouviu gemidos vindos do ecoponto, nomeadamente do caixote do plástico. Quando se aproximou para perceber de que se tratava viu o pé de uma criança e decidiu partir a abertura onde se coloca o lixo para poder entrar dentro do contentor. “Quando entrei, confirmei que era uma criança”, disse ontem aos jornalistas. Segundo a descrição feita, o recém-nascido estava ainda com restos do cordão umbilical e roxo de frio. PJ está a investigar Dados os contornos do caso e os crimes que poderão estar em causa – exposição, abandono e infanticídio –, o caso foi de imediato entregue à Polícia Judiciária, que tenta agora localizar a mãe da criança e o responsável pelo abandono. Quando um recém-nascido é encontrado abandonado na rua, uma das primeiras pistas seguidas pela investigação é a roupa ou a forma como está embrulhado, o que neste caso não acontecerá dado que o mesmo estava sem qualquer agasalho, em contacto com o lixo. O ADN, que entretanto já deverá estar na posse dos investigadores – e que por norma é retirado com recurso a uma zaragatoa, um cotonete que é esfregado na bochecha –, servirá apenas para comparação quando for encontrado algum suspeito. De acordo com o i, neste caso terá de haver um trabalho intenso no local para se perceber se alguma mulher que resida próximo esteve grávida até há pouco tempo. Como o bebé foi encontrado num local mais de passagem, na Avenida Infante Dom Henrique, junto à estação de comboios de Santa Apolónia, esse trabalho torna-se mais difícil. Porém, há alguns outros métodos que são utilizados nestas situações, como é o caso da verificação de possíveis câmaras de videovigilância que existam nas proximidades e dos telemóveis que estiveram naquele ponto específico. De acordo com a mesma fonte, porém, o mais importante será o contacto com as unidades de saúde. Em muitos casos, a mãe acaba por ter de receber assistência e nesse momento apresenta sempre uma versão pouco crível. O contacto entre as autoridades e as unidades de saúde será, portanto, fundamental para fazer uma possível correlação entre uma situação dessas e o achamento do bebé. Em situações anteriores, também as autoridades já chegaram a receber chamadas de familiares ou conhecidos dando conta de suspeitas em relação a determinada pessoa. Por fim, o ADN da criança poderá ainda ser comparado com a base de dados que existe em Portugal, mas que é muito reduzida, pelo que dificilmente surtirá qualquer resultado. Alguns especialistas contactados acreditam que, dados os contornos em que o bebé foi encontrado, o objetivo de quem o abandonou era que o bebé nunca fosse encontrado e, por isso, não restasse qualquer vestígio futuro da sua existência. Mas o que aconteceu realmente só a investigação o dirá. Ontem, o Ministério Público confirmou oficialmente a abertura de um inquérito-crime. “Confirma-se a instauração de inquérito relacionado com a matéria. O mesmo corre termos no DIAP [Departamento de Investigação e Ação Penal] de Lisboa”, referiu a Procuradoria-Geral da República.