Pelo menos 11 mortos em confrontos no bairro muçulmano PK5 em Bangui

Pelo menos 11 pessoas morreram em confrontos entre membros de milícias e comerciantes na noite de quarta-feira no bairro muçulmano PK5, em Bangui, República Centro-Africana (RCA), segundo fontes citadas por agências noticiosas internacionais....

Pelo menos 11 mortos em confrontos no bairro muçulmano PK5 em Bangui
Pelo menos 11 pessoas morreram em confrontos entre membros de milícias e comerciantes na noite de quarta-feira no bairro muçulmano PK5, em Bangui, República Centro-Africana (RCA), segundo fontes citadas por agências noticiosas internacionais. "Dezasseis corpos foram levados para a mesquita", afirmou o imã da mesquita Ali Babolo, Awad Al Karim, citado pela agência France-Presse, referindo que os comerciantes utilizaram armas para responderem às tributações impostas por grupos de autodefesa no bairro. Duas fontes associadas às forças de segurança referem pelo menos 11 e 14 mortes, não tendo avançado mais detalhes. O PK5 não é controlado pela Missão das Nações Unidas na RCA (MINUSCA) ou pelas autoridades centro-africanas, sendo que hoje ainda não havia um relato oficial dos confrontos. "A luta continua, enviámos uma equipa da Força de Reação Rápida. Uma parte do mercado foi queimada, assim como alguns veículos", disse o porta-voz da MINUSCA, Bili Aminou Alao. Os disparos das armas foram ouvidos na capital da RCA durante a noite de quarta-feira e na manhã de hoje, de acordo com um jornalista da agência francófona. "Entre 40 e 50 lojas foram queimadas, assim como quatro ou cinco casas", apontou o diretor-geral do serviço de Proteção Civil da RCA, coronel Patrick Bidilou Niabode. De acordo com o responsável, os bombeiros apagaram dois incêndios que atingiam mercados no PK5. Desde 2014 que o bairro tem sido afetado por episódios de violência esporádica. A RCA caiu no caos e na violência em 2013, depois do derrube do ex-Presidente François Bozizé por grupos armados juntos na Séléka, o que suscitou a oposição de outras milícias, agrupadas sob a designação anti-Balaka. O PK5 serviu de abrigo a muitos muçulmanos de Bangui após os confrontos entre estes dois grupos. O Governo centro-africano controla um quinto do território. O resto é dividido por mais de 15 milícias que procuram obter dinheiro através de raptos, extorsão, bloqueio de vias de comunicação, recursos minerais (diamantes e ouro, entre outros), roubo de gado e abate de elefantes para venda de marfim. Um acordo de paz foi assinado em Cartum, capital do Sudão, no início de fevereiro pelo Governo e por 14 grupos armados, e um mês mais tarde as partes entenderam-se sobre um governo inclusivo, no âmbito do processo de paz. Portugal está presente na RCA desde o início de 2017, no quadro da MINUSCA, com a 6.ª Força Nacional Destacada (FND) e militares na Missão Europeia de Treino Militar-República Centro-Africana, cujo 2.º comandante é o coronel António Grilo. A 6.ª FND, que tem a função de Força de Reação Rápida, integra 180 militares, na sua maioria paraquedistas, pertencendo 177 ao Exército e três à Força Aérea. Na RCA estão também 14 elementos da Polícia de Segurança Pública.