PCP recorda a "Revolta do Leite"

O PCP Madeira organizou hoje, por ocasião das comemorações do Dia Internacional da Mulher, uma exposição seguida de debate sobre "A Revolta do Leite" e o papel preponderante que as mulheres madeirenses tiveram nesta luta, que contou com Rui...

PCP recorda a "Revolta do Leite"
O PCP Madeira organizou hoje, por ocasião das comemorações do Dia Internacional da Mulher, uma exposição seguida de debate sobre "A Revolta do Leite" e o papel preponderante que as mulheres madeirenses tiveram nesta luta, que contou com Rui Nepomuceno como orador. No Verão de 1936, “cerca de 4.000 camponeses e de outros madeirenses ergueram-se corajosamente para defender as suas condições de vida sacrificadas pelo fascismo a favor dos grandes interesses económicos, num levantamento que passou à história como ‘A Revolta do Leite’”, refere o partido, numa nota enviada à nossa redação. O orador da iniciativa, Rui Nepomuceno, enquadrou que "com a imposição do decreto do monopólio do leite e com a consequente exploração dos produtores, que levou à falência de muitas fábricas de manteiga, que na altura eram das maiores indústrias da Região, a 29 de junho de 1936 começou realmente a Revolução do Leite, quando milhares de madeirenses, sobretudo produtores, fizeram um corte de estrada em Santana e impediram a vinda de manteiga e leite para o Funchal”. No dia seguinte, 4.000 camponeses armados com foices foram para junto da Igreja do Faial, fazendo uma espera ao fiscal da junta dos lacticínios e ameaçaram-no, tendo sido apaziguados pelo padre Teixeira da Fonte.   “Mas, em Agosto de 1936, não havendo mudança na exploração, surgiram outros focos de revolução, na Ponta do Sol, Canhas, Ribeira Brava e Estreito de Câmara de Lobos, e a repressão tratou de prender logo muita gente, e foi aqui que houve uma grande força das mulheres e foram grandes lutadoras, muitas delas tendo sido presas e algumas mortas, na exigência do antigo regime do leite”. Segundo o orador, “esta revolta foi abafada pelo regime, tendo apenas o Jornal Avante dado conta do que se passava na Madeira, relatando inclusivamente, a maneira como agentes da PIDE pontapearam uma destas mulheres, grávida que acabou por falecer poucas horas depois”.  Cerca de 20 mulheres, a maior parte da Ribeira Brava, foram presas e levadas para Lisboa, “raparigas muito novas que nunca tinham saído da sua localidade e sem sequer poderem despedir-se das suas famílias”, continuou. “Fala-se na Revolta da Madeira, mas a Revolta do Leite continua esquecida por muitos e foi um marco importante na nossa história”, rematou.