Opositor ao regime chinês é o vencedor do Prémio Sakharov

O economista chinês Ilham Tohti, conhecido pela luta pelos direitos da minoria uigur e pela defesa de leis regionais de autonomia, é o vencedor do Prémio Sakharov para a Liberdade de Pensamento, anunciou hoje o Parlamento Europeu. A Conferência...

Opositor ao regime chinês é o vencedor do Prémio Sakharov
O economista chinês Ilham Tohti, conhecido pela luta pelos direitos da minoria uigur e pela defesa de leis regionais de autonomia, é o vencedor do Prémio Sakharov para a Liberdade de Pensamento, anunciou hoje o Parlamento Europeu. A Conferência de Presidentes do Parlamento Europeu - estrutura que junta o líder do PE e dos partidos políticos representados na assembleia europeia – decidiu distinguir o intelectual Ilham Tohti, condenado em 2014 pela justiça chinesa a prisão perpétua por “separatismo”, num processo que suscitou uma onda de protestos por parte de Governos estrangeiros e organizações de defesa dos direitos humanos. “[Tohti] empenhou-se muito para melhorar a compressão dos uigures na China. O Parlamento Europeu expressa todo seu apoio ao seu trabalho e quer que seja imediatamente libertado pelas autoridades chinesas”, declarou o presidente da assembleia europeia, David Sassoli, ao anunciar o vencedor. Durante mais de duas décadas, o intelectual trabalhou para promover o diálogo e a compreensão entre uigures e chineses, tendo criado o Uyghur Online, um sítio na internet que discute questões uigures. Nesta plataforma, criticou regularmente a exclusão da população uigur chinesa do desenvolvimento do país e incentivou uma maior sensibilização para o estatuto e o tratamento da comunidade uigur na sociedade chinesa. Por estas ações, Ilham Tohti foi declarado um “separatista” pelo Estado chinês e, subsequentemente, condenado a uma pena de prisão perpétua. A cerimónia de entrega do Prémio Sakharov realiza-se no dia 18 de dezembro, em Estrasburgo. Entre os finalistas deste galardão estavam também três ativistas brasileiros: Marielle Franco, defensora brasileira dos direitos humanos, nomeadamente da comunidade negra, das mulheres e das pessoas lésbicas, gays, bissexuais, trans e intersexuais (LGBTI), que foi brutalmente assassinada em março do ano passado e que estava nomeada a título póstumo, a ambientalista Claudelice Santos e o líder indígena Raoni Metuktire. Todos os anos, desde 1988, o Parlamento Europeu atribui o Prémio Sakharov (assim chamado em homenagem ao dissidente soviético Andrei Sakharov) a pessoas ou organizações que se destacam na defesa dos direitos humanos e das liberdades fundamentais, tendo distinguido Xanana Gusmão (Timor-Leste) em 1999 e o bispo Zacarias Kamwenho (Angola) em 2001. No ano passado, o prémio foi atribuído ao cineasta ucraniano Oleg Sentsov.