Militares impediram protesto contra apagões de chegar à sede de empresa elétrica venezuelana

Oficiais da Guarda Nacional Bolivariana (GNB, polícia militar) impediram, quinta-feira, centenas de opositores de chegar à sede da estatal Corporação Elétrica da Venezuela (CORPOELEC) que protestam contra os frequentes apagões elétricos, em...

Militares impediram protesto contra apagões de chegar à sede de empresa elétrica venezuelana
Oficiais da Guarda Nacional Bolivariana (GNB, polícia militar) impediram, quinta-feira, centenas de opositores de chegar à sede da estatal Corporação Elétrica da Venezuela (CORPOELEC) que protestam contra os frequentes apagões elétricos, em particular no Estado de Zúlia. Os manifestantes partiram desde Los dos Caminos, em direção à sede da Corpoelec em El Marqués, mas depararam-se com uma barreira de guardas que lhes bloqueou o acesso. Vários manifestantes, principalmente idosas, aproximaram-se dos oficiais da GNB que bloqueavam a passagem, e disseram-lhes que o dever dos militares deveria ser o de acompanhar o povo, condenar as dificuldades que os venezuelanos vivem e não apoiar uma "ditadura" e a invasão ideológica de "cubanos, norte-coreanos e chineses". Além dos oficiais, dezenas de pessoas pró-regime tentaram, sem sucesso, impedir a passagem dos opositores. Do lado da oposição ouviram-se as palavras de ordem "sim podemos (mudar de regime)" e, do outro lado, os simpatizantes do regime gritavam "não voltarão [ao poder]", afastando-se depois em direção contrária. Quando os chavistas se afastaram, os opositores descobriram que a GNB tinha usado viaturas para colocar uma segunda barreira, não de oficiais, mas de uma resistente rede metálica que alguns manifestantes golpearam com força para manifestar a sua frustração. A manifestação, a primeira convocada pela oposição nos últimos 30 dias, teve ainda como propósito solidarizar-se com o deputado da oposição Juan Pablo Guanipa, a quem a Assembleia Constituinte (AC, composta unicamente por simpatizantes do regime e que a oposição não reconhece) levantou, no começo da semana, a imunidade parlamentar. Entretanto, no centro de Caracas, centenas de simpatizantes do regime marcharam numa manifestação contra as sanções dos Estados Unidos. A imprensa local dá conta de que pelos menos dois jornalistas de meios de comunicação social críticos do regime, que se enconytravam a cobrir as declarações do presidente da AC, Diosdado Cabello, foram agredidos verbalmente e intimidados. Andrés Rodríguez, do portal El Pitazo, denunciou que os manifestantes pró-regime roubaram-lhe o telemóvel e que exigiam ainda que entregasse o vídeo, porque no local "apenas podiam estar os meios estatais". Por outro lado, Rosmina Suárez, da Rádio Fé e Alegria, denunciou que três mulheres, manifestantes da milícia chavista, tentaram tirar-lhe o telemóvel, com o apoio de um oficial da Guarda Nacional Bolivariana.