'Lista negra' britânica revolta madeirenses

O Reino Unido manteve Portugal na lista de países onde os passageiros são obrigados a cumprirem quarenta de 14 dias à chegada a solo britânico. A decisão gerou revolta por entre a diáspora madeirense. Na passada quinta-feira a imprensa britânica avançava a provável inclusão de Portugal na ‘lista verde’ britânica. O jornal The Times noticiou que Londres iria ceder à “pressão poderosa” do Governo português, enquanto que o Daily Telegraph adiantou a possibilidade de um levantamento parcial de restrições para certas regiões portuguesas menos afetadas pela pandemia de covid-19. Tudo parecia encaminhar-se para que a quarentena obrigatória fosse levantada, mas, conforme avançado ontem pelo Governo britânico, Portugal não está incluído nos 5 países adicionados à ‘lista verde’ britânica. Na sequência da avaliação dos riscos de infeção por covid-19, Estónia, Letónia, Eslováquia, Eslovénia e as ilhas de St. Vicent, nas Caraíbas, foram acrescentados à lista pelo ministério dos Transportes em terras de sua majestade e poderão ter livre circulação em solo britânico a partir de 28 de julho. A decisão gerou muitas reações de revolta e surpresa desde Augusto Santos Silva, Ministro dos Negócios Estrangeiros, incluindo vários madeirenses emigrados no Reino Unido e noutras partes do globo. “O Governo, naturalmente, lamenta a decisão, que não está fundamentada nos factos e nos dados que são conhecidos e públicos e aguardará que as autoridades britânicas evoluam”, afirmou. O chefe da diplomacia portuguesa adiantou que cumpriu o combinado com o homólogo britânico, nomeadamente o respeito de cinco critérios em que a situação epidemiológica portuguesa é “muito positiva”: capacidade de testagem, taxa de letalidade, índice de reprodução, capacidade de resposta do sistema de saúde e número de casos por 100 mil habitantes. “As autoridades britânicas tiveram a cortesia de nos informar quinta-feira da decisão, mas não foram capazes de explicar os fundamentos científicos e técnicos da decisão tomada”, afirmou. Na diáspora madeirense a reação não foi diferente: “Nem dá para acreditar”, começou por avançar José Gonçalves, Conselheiro das Comunidades Madeirenses na Europa. “Espero que a diplomacia portuguesa consiga levá-los a reconsiderar. Não é só pela Madeira, mas também pelos Açores e Algarve”, adiantou. "Incompreensível" Joana Vieira, enfermeira madeirense em Oxford foi outra das vozes de indignação. “No meu ponto de vista é incompreensível esta tomada de decisão por parte do Governo britânico”, afirmou, acrescentando a “situação controlada” a que se assiste na Madeira: “A Madeira tem um sistema de controlo epidemiológico exemplar que permite-nos conhecer de forma eficaz a extensão da transmissão. Os casos positivos são identificados à chegada e isolados, o que também evita a transmissão ativa na população”. Joana Vieira vais mais longe: “Acho absurdo a quarentena aplicada pelos britânicos à chegada quando temos voos diretos [desde a Madeira]”. “Julgo que a decisão carece de rigor científico”, terminou a madeirense. Leia tudo na edição impressa de hoje do JM.

'Lista negra' britânica revolta madeirenses
O Reino Unido manteve Portugal na lista de países onde os passageiros são obrigados a cumprirem quarenta de 14 dias à chegada a solo britânico. A decisão gerou revolta por entre a diáspora madeirense. Na passada quinta-feira a imprensa britânica avançava a provável inclusão de Portugal na ‘lista verde’ britânica. O jornal The Times noticiou que Londres iria ceder à “pressão poderosa” do Governo português, enquanto que o Daily Telegraph adiantou a possibilidade de um levantamento parcial de restrições para certas regiões portuguesas menos afetadas pela pandemia de covid-19. Tudo parecia encaminhar-se para que a quarentena obrigatória fosse levantada, mas, conforme avançado ontem pelo Governo britânico, Portugal não está incluído nos 5 países adicionados à ‘lista verde’ britânica. Na sequência da avaliação dos riscos de infeção por covid-19, Estónia, Letónia, Eslováquia, Eslovénia e as ilhas de St. Vicent, nas Caraíbas, foram acrescentados à lista pelo ministério dos Transportes em terras de sua majestade e poderão ter livre circulação em solo britânico a partir de 28 de julho. A decisão gerou muitas reações de revolta e surpresa desde Augusto Santos Silva, Ministro dos Negócios Estrangeiros, incluindo vários madeirenses emigrados no Reino Unido e noutras partes do globo. “O Governo, naturalmente, lamenta a decisão, que não está fundamentada nos factos e nos dados que são conhecidos e públicos e aguardará que as autoridades britânicas evoluam”, afirmou. O chefe da diplomacia portuguesa adiantou que cumpriu o combinado com o homólogo britânico, nomeadamente o respeito de cinco critérios em que a situação epidemiológica portuguesa é “muito positiva”: capacidade de testagem, taxa de letalidade, índice de reprodução, capacidade de resposta do sistema de saúde e número de casos por 100 mil habitantes. “As autoridades britânicas tiveram a cortesia de nos informar quinta-feira da decisão, mas não foram capazes de explicar os fundamentos científicos e técnicos da decisão tomada”, afirmou. Na diáspora madeirense a reação não foi diferente: “Nem dá para acreditar”, começou por avançar José Gonçalves, Conselheiro das Comunidades Madeirenses na Europa. “Espero que a diplomacia portuguesa consiga levá-los a reconsiderar. Não é só pela Madeira, mas também pelos Açores e Algarve”, adiantou. "Incompreensível" Joana Vieira, enfermeira madeirense em Oxford foi outra das vozes de indignação. “No meu ponto de vista é incompreensível esta tomada de decisão por parte do Governo britânico”, afirmou, acrescentando a “situação controlada” a que se assiste na Madeira: “A Madeira tem um sistema de controlo epidemiológico exemplar que permite-nos conhecer de forma eficaz a extensão da transmissão. Os casos positivos são identificados à chegada e isolados, o que também evita a transmissão ativa na população”. Joana Vieira vais mais longe: “Acho absurdo a quarentena aplicada pelos britânicos à chegada quando temos voos diretos [desde a Madeira]”. “Julgo que a decisão carece de rigor científico”, terminou a madeirense. Leia tudo na edição impressa de hoje do JM.