Juiz de Mafra chama cadela a tribunal para dirimir litígio entre ex-namorados

A sentença sobre o processo de Kiara, a cadela disputada em tribunal por um casal de ex-namorados, deverá ser conhecida nos próximos dias. A histórica decisão do Tribunal de Família e Menores de Mafra atribuirá a tutela da cadela pitbull com...

Juiz de Mafra chama cadela a tribunal para dirimir litígio entre ex-namorados
A sentença sobre o processo de Kiara, a cadela disputada em tribunal por um casal de ex-namorados, deverá ser conhecida nos próximos dias. A histórica decisão do Tribunal de Família e Menores de Mafra atribuirá a tutela da cadela pitbull com sete anos, dado que não se chegou a um entendimento quanto à guarda partilhada.  O processo decorre há mais de um ano, refere o Correio da Manhã. Num processo inédito, o juiz Joaquim Silva fundamenta a decisão de chamar o animal ao tribunal. "Eu tentei a conciliação com as pessoas, mas não consegui. Depois chamei o cão. O cão esteve no tribunal", explicou o juiz titular do processo a esta fonte. O juiz esclarece que chamou o cão porque "queria ver se estava tranquilo com um e com outro" dos ex-namorados, ambos com 32 anos. Não satisfeito com a avaliação feita em tribunal, o juiz optou por solicitar o parecer de um especialista. "Queria ver o comportamento dela com cada membro do casal. Como tinha as minhas dúvidas, mandei fazer a perícia", afirmou. Joaquim Silva, que tem três pastores alemães, sublinhou que na formulação da sentença "o bem-estar do animal vai ser levado em consideração". Primeiro caso nos Julgados de Paz O psicólogo Paulo Sargento e a ex-mulher foram o primeiro caso de um casal que, em 2006, recorreu aos Julgados de Paz para ficar decidida a partilha do animal de companhia. "Constança foi uma lição de vida", referiu sobre a cadela labrador, já falecida. Juiz apelidado de ‘amigo das crianças’ Joaquim Silva, que está a julgar o caso de Kiara, é também o magistrado que muitos apelidam de ‘o juiz amigo das crianças’. Joaquim Silva defende uma justiça de proximidade com as famílias para proteger as crianças. Há quatro anos que não decide pela adoção. Com 500 processos titulares cíveis e de promoção por ano, em média, só leva a julgamento um caso.