Governo suspende inquérito aos funcionários públicos até depois das legislativas

O Governo anunciou hoje a “suspensão temporária” do inquérito sobre questões motivacionais dirigido aos funcionários públicos, por considerar que “a elevada visibilidade” do tema em período pré-eleitoral pode “comprometer a fiabilidade dos...

Governo suspende inquérito aos funcionários públicos até depois das legislativas
O Governo anunciou hoje a “suspensão temporária” do inquérito sobre questões motivacionais dirigido aos funcionários públicos, por considerar que “a elevada visibilidade” do tema em período pré-eleitoral pode “comprometer a fiabilidade dos resultados”. “Considerando que a elevada visibilidade do assunto em período pré-eleitoral pode comprometer a fiabilidade dos resultados, inviabilizando todo o inquérito e a comparabilidade com os resultados obtidos em 2015, o Governo determinou a suspensão temporária do inquérito e que o preenchimento dos questionários e as fases subsequentes sejam retomados após as eleições legislativas marcadas para dia 06 de outubro”, lê-se num comunicado divulgado pelo gabinete do ministro das Finanças. Na nota, o ministério de Mário Centeno refere que “o Governo tomou conhecimento esta semana do lançamento da segunda edição de um inquérito sobre questões motivacionais promovido pela Direção-Geral da Administração e do Emprego Público (DGAEP)", um questionário “dirigido a todos os trabalhadores em funções públicas” e que “aborda um conjunto de questões relacionadas com a motivação no trabalho, nomeadamente decorrentes da ação governativa”. Em declarações à agência Lusa, o secretário-geral da Federação de Sindicatos da Administração Pública (FESAP) considerou a suspensão do inquérito “uma medida de bom senso”, lamentando que a iniciativa não tenha sido discutida previamente com os sindicatos. “Não compreendemos a precipitação da DGAEP”, afirmou José Abraão, defendendo que estas questões “deveriam ser discutidas e acertadas previamente com os sindicatos”. Na quarta-feira, o dirigente sindical tinha já questionado o ‘timing’ para a realização deste questionário – a submeter pelos funcionários públicos entre 18 de julho e 30 de setembro, poucos dias antes das eleições legislativas – considerando-o “extemporâneo” dado “o grau de insatisfação dos trabalhadores por muitas medidas terem ficado aquém do que se esperava”. Já hoje, ainda antes da suspensão anunciada pelo Governo, José Abraão levantou questões adicionais relativas à “credibilidade” do questionário, disponibilizado no endereço eletrónico da DGAEP e passível de ser preenchido por qualquer cidadão, seja ou não funcionário público. “Ao que nos dizem, qualquer cidadão deste país vai ao ‘site’ da DGAEP, faz os procedimentos, põe lá o que quer, submete e pelos vistos não há problemas. Pelos vistos preenche-se, submete-se e vem a seguir um agradecimento. Aparentemente ficará registado. Como isso depois é tratado não sei”, disse à Lusa. “Se assim for – acrescentou -, se o questionário for considerado mesmo com inverdades, qual é a credibilidade do inquérito”, questionou. Esta situação foi confirmada pela agência Lusa, que esta manhã preencheu o questionário e o conseguiu submeter com aparente sucesso. Em causa está a segunda edição de um inquérito que foi pela primeira vez lançado em 2015, mas que, desta vez questiona os funcionários públicos sobre se “o período da ‘troika’ influenciou negativamente” a sua motivação no trabalho e se a “reposição dos salários afetou positivamente” essa motivação. Entre as questões novas está ainda uma que procura saber se “o descongelamento progressivo das carreiras é motivador” e outra sobre se o trabalhador se sente “hoje mais motivado no trabalho do que há cinco anos atrás”. Relativamente aos motivos que levaram a incluir nesta segunda edição este tipo de questões e as razões para que tenha sido escolhido um horizonte temporal de cinco anos para os funcionários públicos compararem com a motivação que sentem atualmente, fonte oficial da DGAEP referiu à Lusa que este foi considerado um “lapso de tempo adequado”. “Sendo um ‘follow up’ do questionário realizado em 2015, adotou-se como referência o período de cinco anos por se considerar ser um lapso tempo adequado para os trabalhadores se pronunciarem tendo presentes os factos desse período temporal, mas já com distanciamento necessário para responder com maior objetividade”, sublinhou aquela fonte.