Fecho de empresas ligadas ao turismo poderá atingir mais de 50%

Não se sabe até quando as empresas ligadas direta e indiretamente aos setores da hotelaria e turismo vão aguentar os efeitos da pandemia, mas o economista e hoteleiro André Barreto considera que há o forte risco de mais de 50 por cento virem a encerrar. “Temo que possa ser até superior a isso. Vai disparar o desemprego. Os custos que o Estado terá com esta situação serão significativamente superiores e receio mesmo que estejamos a caminhar para uma situação trágica”, alertou, acrescentando que a Madeira está numa situação de “mãos atadas”, porque “aquilo que podemos fazer e decidir por nós próprios e para nós próprios é muito pouco”. André Barreto, que falava aos jornalistas à margem do ciclo de reuniões ‘Ouvir para decidir’, do Conselho Consultivo de Economia da Madeira, hoje focado no Turismo, deu o exemplo do mercado inglês ‘impedido’ de viajar para Portugal. “É o espelho desta nossa pequenez. Temos um ministro dos Negócios Estrangeiros que não tem tido a capacidade de explicar aquilo que é óbvio”. Por outro lado, o empresário pediu ainda que sejam criados novos mecanismos de apoio às empresas, para além das linhas de crédito. “Às empresas, foi-lhes pedido que substituíssem receita por dívida futura. É um empurrar do problema com a barriga”, comentou. “Mais cedo ou mais tarde, não tendo receita, nós vamos ter de pagar esta despesa, nomeadamente os financiamentos que alguns conseguiram obter. E mesmo assim, esses financiamentos têm um fim”, acrescentou, comentando que “esta dor” não é sentida apenas pelas empresas, mas também pelos trabalhadores do setor privado que estão em lay-off. “Estamos a 27 de março e não sabemos o que vai acontecer em agosto. Já é difícil gerir a situação, sem paralelo histórico, mais a mais quando as decisões levam tanto tempo a serem tomadas. É bastante complicado de gerirmos” e, nesse sentido, defende que “se se conseguisse alguma perspetiva de mais longo prazo, seja lay-off simplificado ou outras medidas que nos permitissem olhar mais para a frente que não apenas para o próximo mês sentia muito positivo”. Também o hoteleiro Roland Bachmeier manifestou as suas preocupações sobre o futuro do turismo na Região. Defendeu uma aposta no eco-turismo, por um lado, mas há muito trabalho para fazer em termos da promoção do destino. Bachmeier sustentou, por outro lado, que os mercados emissores que não estão a viajar para Portugal estão a ver o nosso país como um todo, “metendo a Madeira e os Açores na mesma panela”. No entanto, a seu ver, as regiões autónomas não podem ser prejudicadas. No caso da Madeira, a baixa incidência de casos de covid-19, o facto de não se registar óbitos, demonstra a segurança do destino a vários níveis. “A Madeira e os Açores são diferentes e é preciso passar essa informação para os clientes. A Madeira é muito diferente dos outros destinos de Portugal”, sublinhou, defendendo que os hoteleiros e a Associação de promoção da Madeira devem analisar em conjunto maneiras de promover de forma ainda mais incisiva o destino.

Fecho de empresas ligadas ao turismo poderá atingir mais de 50%
Não se sabe até quando as empresas ligadas direta e indiretamente aos setores da hotelaria e turismo vão aguentar os efeitos da pandemia, mas o economista e hoteleiro André Barreto considera que há o forte risco de mais de 50 por cento virem a encerrar. “Temo que possa ser até superior a isso. Vai disparar o desemprego. Os custos que o Estado terá com esta situação serão significativamente superiores e receio mesmo que estejamos a caminhar para uma situação trágica”, alertou, acrescentando que a Madeira está numa situação de “mãos atadas”, porque “aquilo que podemos fazer e decidir por nós próprios e para nós próprios é muito pouco”. André Barreto, que falava aos jornalistas à margem do ciclo de reuniões ‘Ouvir para decidir’, do Conselho Consultivo de Economia da Madeira, hoje focado no Turismo, deu o exemplo do mercado inglês ‘impedido’ de viajar para Portugal. “É o espelho desta nossa pequenez. Temos um ministro dos Negócios Estrangeiros que não tem tido a capacidade de explicar aquilo que é óbvio”. Por outro lado, o empresário pediu ainda que sejam criados novos mecanismos de apoio às empresas, para além das linhas de crédito. “Às empresas, foi-lhes pedido que substituíssem receita por dívida futura. É um empurrar do problema com a barriga”, comentou. “Mais cedo ou mais tarde, não tendo receita, nós vamos ter de pagar esta despesa, nomeadamente os financiamentos que alguns conseguiram obter. E mesmo assim, esses financiamentos têm um fim”, acrescentou, comentando que “esta dor” não é sentida apenas pelas empresas, mas também pelos trabalhadores do setor privado que estão em lay-off. “Estamos a 27 de março e não sabemos o que vai acontecer em agosto. Já é difícil gerir a situação, sem paralelo histórico, mais a mais quando as decisões levam tanto tempo a serem tomadas. É bastante complicado de gerirmos” e, nesse sentido, defende que “se se conseguisse alguma perspetiva de mais longo prazo, seja lay-off simplificado ou outras medidas que nos permitissem olhar mais para a frente que não apenas para o próximo mês sentia muito positivo”. Também o hoteleiro Roland Bachmeier manifestou as suas preocupações sobre o futuro do turismo na Região. Defendeu uma aposta no eco-turismo, por um lado, mas há muito trabalho para fazer em termos da promoção do destino. Bachmeier sustentou, por outro lado, que os mercados emissores que não estão a viajar para Portugal estão a ver o nosso país como um todo, “metendo a Madeira e os Açores na mesma panela”. No entanto, a seu ver, as regiões autónomas não podem ser prejudicadas. No caso da Madeira, a baixa incidência de casos de covid-19, o facto de não se registar óbitos, demonstra a segurança do destino a vários níveis. “A Madeira e os Açores são diferentes e é preciso passar essa informação para os clientes. A Madeira é muito diferente dos outros destinos de Portugal”, sublinhou, defendendo que os hoteleiros e a Associação de promoção da Madeira devem analisar em conjunto maneiras de promover de forma ainda mais incisiva o destino.