Enfermeira madeirense em Oxford: "A Covid-19 é como o fogo e propaga-se muito rápido"

Joana Vieira é uma enfermeira madeirense emigrada em Oxford, no Reino Unido, e que admite nunca ter “cortado o cordão umbilical” que a liga à sua ilha. Como explicou ao JM é um dos guerreiros que está na linha da frente no combate à Covid-19, no Hospital Universitário de Oxford. Joana Vieira é natural de São Martinho, Concelho do Funchal. Tirou o curso de enfermagem no Porto e está a trabalhar no Hospital Universitário em Oxford. A opção de emigrar foi um pouco forçada, pois quando terminou o curso “não haviam vagas”. Como a madeirense tinha conhecimento da situação, decidiu “rapidamente contactar algumas pessoas que já estavam no Reino Unido e pedir alguns conselhos, “indicaram-me algumas agências de recrutamento que estavam em território português a recrutar”. A emigrante, candidatou-se, fez a entrevista e foi para o Reino Unido. “Já cá estou há 6 anos, completados em abril, estou a trabalhar numa unidade de medicina respiratória desde então, trabalho diretamente com doentes infetados com a Covid-19”. A unidade onde trabalha Joana Vieira falou-nos um pouco sobre a unidade dedicada à Covid-19 no Hospital em Oxford. “Neste momento estou em Oxford, no Hospital Universitário e nestes últimos tempos temos que lidar diretamente com a pandemia, porque somos a especialidade que é mais afetada pelo vírus”. A emigrante vai mais longe e explica que a unidade onde trabalha, “foi convertida numa unidade para doentes de Covid-19, portanto somos a zona vermelha do Hospital”. “A minha unidade faz a ponte entre os cuidados intensivos, recebemos aqueles doentes que não precisam de entubação, mas que necessitam de alguns cuidados especializados, como algum suporte respiratório e, na minha unidade, estão também a ser desenvolvidos estudos de investigação e ensaios clínicos com alguns medicamentos que já existem para outras doenças, como ébola e malária, e estamos a ter alguns resultados animadores. Além disso, estamos já a testar uma vacina em humanos”, descreve-nos a enfermeira. O vírus da solidão Na realidade que enfrenta todos os dias no Reino Unido, Joana Vieira presencia a angústia das pessoas e constata o novo “vírus da solidão”. “As pessoas não têm direito a visitas, estão ali isoladas, temos tablets que utilizamos para fazer telefonemas via Skype, para as famílias falarem com os doentes, e damos todos os dias as atualizações de cada doente à família, tudo por chamada telefónica”. Por fim, alerta para os cuidados a manter. “Têm que lavar bem as mãos sempre após tocar em seja lá o eu for e o uso de máscara é muito importante. Mas é preciso ter muito cuidado com a máscara, não tocar, cuidados ao manipulá-la e assim todos juntos vamos conseguir ultrapassar tudo isto”. Leia a entrevista na íntegra na edição impressa desta segunda-feira do seu JM.

Enfermeira madeirense em Oxford: "A Covid-19 é como o fogo e propaga-se muito rápido"
Joana Vieira é uma enfermeira madeirense emigrada em Oxford, no Reino Unido, e que admite nunca ter “cortado o cordão umbilical” que a liga à sua ilha. Como explicou ao JM é um dos guerreiros que está na linha da frente no combate à Covid-19, no Hospital Universitário de Oxford. Joana Vieira é natural de São Martinho, Concelho do Funchal. Tirou o curso de enfermagem no Porto e está a trabalhar no Hospital Universitário em Oxford. A opção de emigrar foi um pouco forçada, pois quando terminou o curso “não haviam vagas”. Como a madeirense tinha conhecimento da situação, decidiu “rapidamente contactar algumas pessoas que já estavam no Reino Unido e pedir alguns conselhos, “indicaram-me algumas agências de recrutamento que estavam em território português a recrutar”. A emigrante, candidatou-se, fez a entrevista e foi para o Reino Unido. “Já cá estou há 6 anos, completados em abril, estou a trabalhar numa unidade de medicina respiratória desde então, trabalho diretamente com doentes infetados com a Covid-19”. A unidade onde trabalha Joana Vieira falou-nos um pouco sobre a unidade dedicada à Covid-19 no Hospital em Oxford. “Neste momento estou em Oxford, no Hospital Universitário e nestes últimos tempos temos que lidar diretamente com a pandemia, porque somos a especialidade que é mais afetada pelo vírus”. A emigrante vai mais longe e explica que a unidade onde trabalha, “foi convertida numa unidade para doentes de Covid-19, portanto somos a zona vermelha do Hospital”. “A minha unidade faz a ponte entre os cuidados intensivos, recebemos aqueles doentes que não precisam de entubação, mas que necessitam de alguns cuidados especializados, como algum suporte respiratório e, na minha unidade, estão também a ser desenvolvidos estudos de investigação e ensaios clínicos com alguns medicamentos que já existem para outras doenças, como ébola e malária, e estamos a ter alguns resultados animadores. Além disso, estamos já a testar uma vacina em humanos”, descreve-nos a enfermeira. O vírus da solidão Na realidade que enfrenta todos os dias no Reino Unido, Joana Vieira presencia a angústia das pessoas e constata o novo “vírus da solidão”. “As pessoas não têm direito a visitas, estão ali isoladas, temos tablets que utilizamos para fazer telefonemas via Skype, para as famílias falarem com os doentes, e damos todos os dias as atualizações de cada doente à família, tudo por chamada telefónica”. Por fim, alerta para os cuidados a manter. “Têm que lavar bem as mãos sempre após tocar em seja lá o eu for e o uso de máscara é muito importante. Mas é preciso ter muito cuidado com a máscara, não tocar, cuidados ao manipulá-la e assim todos juntos vamos conseguir ultrapassar tudo isto”. Leia a entrevista na íntegra na edição impressa desta segunda-feira do seu JM.