Coronavírus: Epidemia na China coloca negócios entre a doença e a falência

Alice Zhang, gerente de uma confeitaria em Pequim, deixou de estar alarmada com a possibilidade de infeção pelo Covid-19 para se preocupar com a possibilidade de ficar desempregada, à medida que a China permanece paralisada. "Vamos todos perder...

Coronavírus: Epidemia na China coloca negócios entre a doença e a falência
Alice Zhang, gerente de uma confeitaria em Pequim, deixou de estar alarmada com a possibilidade de infeção pelo Covid-19 para se preocupar com a possibilidade de ficar desempregada, à medida que a China permanece paralisada. "Vamos todos perder o emprego em breve", admitiu à agência Lusa a gerente da Comptoirs de France de Sanlitun, tradicionalmente uma das zonas mais movimentados da capital chinesa, mas desde há um mês convertida numa espécie de bairro fantasma. Volvidas cinco semanas desde o início da epidemia do novo coronavírus, é cada vez mais evidente que muitos negócios não sobreviverão às restritas medidas de prevenção adotadas pelas autoridades chinesas, que incluem restrições sob a movimentação de centenas de milhões de pessoas ou o encerramento forçado de estabelecimentos. André Zhou, natural de Braga e proprietário do Viva, um dos poucos restaurantes portugueses em Xangai, a "capital" financeira da China, revelou à Lusa só ter recebido hoje autorização para reabrir, mas aguarda agora que os funcionários cumpram 14 dias de quarentena para poderem voltar ao trabalho. Em Pequim e Xangai, viajantes oriundos de outras zonas do país têm de ficar em casa duas semanas após voltarem das suas terras natais, o que impede o regresso imediato ao trabalho de milhões de trabalhadores migrantes, que em janeiro passado foram a casa celebrar o Ano Novo Lunar e só agora começam a voltar às prósperas cidades do litoral. Inaugurado há cinco anos, o Viva fica em Weihai Lu, próximo de uma das ruas comerciais mais frequentadas do centro de Xangai. Com cerca de oitenta metros quadrados, o espaço custa a André o equivalente a quase dez mil euros por mês. "Está difícil", admitiu. "Tenho a renda paga até abril, depois logo se vê".