9,3 milhões de venezuelanos não tem acesso a suficientes alimentos

Cerca de um terço da população da Venezuela tem dificuldade em obter alimentos em quantidade suficiente e 60% dos venezuelanos foram obrigados a reduzir as porções diárias de comida, alertou hoje o Programa Alimentar Mundial (PAM). “Aproximadamente...

9,3 milhões de venezuelanos não tem acesso a suficientes alimentos
Cerca de um terço da população da Venezuela tem dificuldade em obter alimentos em quantidade suficiente e 60% dos venezuelanos foram obrigados a reduzir as porções diárias de comida, alertou hoje o Programa Alimentar Mundial (PAM). “Aproximadamente um terço da população, sofre do que é tecnicamente chamado ‘insegurança alimentar’ moderada ou grave. Cerca de 9,3 milhões de venezuelanos não têm acesso a alimentos, mesmo que estejam disponíveis no país, devido à hiperinflação e quatro em cada dez famílias também sofrem cortes nos serviços de eletricidade e água”, refere o PAM em comunicado sobre uma avaliação à situação alimentar na Venezuela. A agência da ONU para a alimentação realizou uma avaliação sobre a situação e as carências nos lares venezuelanos a convite do governo do Presidente da Venezuela, Nicolás Maduro. A avaliação teve por base 8.375 questionários com 33% dos inquiridos a referirem que para sobreviver aceitaram fazer trabalhos a troco de comida e 20% que tiveram que vender os haveres familiares para comprar alimentos. Segundo o comunicado, um grande número de venezuelanos come apenas cereais, raízes ou tubérculos diariamente e a hiperinflação significa que os seus salários não chegam para comprar os bens mais básicos. O estudo indica que a falta de alimentos é um problema em todo o país, mas atinge proporções mais graves em alguns estados como Delta Amacuro, Amazonas e Falcón. Mesmo em regiões em melhor situação, como Lara, Cojedes e Mérida, o PAM estima que aproximadamente uma em cada cinco pessoas esteja em insegurança alimentar ou em situação de “insuficiente ingestão de alimentos”. De acordo com o PAM, 74% das famílias tiveram que adotar "estratégias de sobrevivência" e o consumo de carne, peixe, ovos, legumes e frutas é inferior a três dias por semana. “O problema não é tanto a ausência de alimentos, mas a dificuldade em obtê-los. Sete em cada dez pessoas disseram que há comida disponível, mas que é difícil comprar devido ao alto preço em comparação com os seus rendimentos”, refere o comunicado.